quarta-feira, 25 de junho de 2025
Autora de Ubá publica romance silêncios conjugais
Segredos à flor da pele: romance revela as dores escondidas por trás das aparências
Em "Verdades Proibidas", a escritora Rosangela Silva Schiabel expõe as fragilidades dos vínculos afetivos, em um romance sobre silêncios conjugais, fé e transgressão
Casamentos longos muitas vezes escondem mais do que mostram. Em Verdades Proibidas, novo romance da educadora e escritora Rosangela Silva Schiabel, a história de Raquel — casada e religiosa — se transforma a partir de um encontro inesperado durante a ausência do marido. Com linguagem direta e delicada, a autora dá forma aos conflitos de uma mulher dividida entre a moral e o desejo, a fé e a liberdade, em uma trama que toca em feridas íntimas com coragem e sensibilidade.
Rian, seu marido, é um homem trabalhador, discreto e ausente emocionalmente. O afeto entre eles cede espaço à rotina, à falta de diálogo e à solidão silenciosa. Tudo muda quando, durante uma viagem de Rian ao Rio de Janeiro para um seminário, a protagonista conhece Augusto.
Um simples encontro movido pelo acaso se transforma rapidamente em uma conexão intensa e um relacionamento extraconjugal que vai abalar todas as estruturas da sua vida. A partir disso, a autora intercala cenas íntimas com reflexões existenciais da personagem, que se vê diante de questionamentos profundos sobre sua identidade, escolhas e fé.
Nunca me sentira uma pessoa autêntica. Estava sempre me esforçando para manter as aparências. Em minha mente, sempre fui jovem... e estou feliz de ter vivido essa aventura. Como pude... logo eu, que sempre enxerguei a vida como um barquinho que não podia balançar muito (Verdades Proibidas, p. 63)
No entanto, essa nova relação, além de colocar em xeque os valores de Raquel, desencadeia uma série de consequências inesperadas — incluindo um crime que levará seu marido à prisão. O leitor acompanha, com crescente tensão, os desdobramentos dessa escolha, onde o amor deixa de ser apenas sentimento e passa a ser também responsabilidade, dor e consequência.
Verdades Proibidas é uma história sobre o humano, suas contradições, sua busca por sentido e a difícil arte de lidar com as escolhas que fazemos. Com capítulos curtos, escrita envolvente e autenticidade, a obra convida o leitor a olhar para si, como em um espelho, e se perguntar: quantas verdades eu também escondo?
“Escrevi este livro porque senti a necessidade urgente de dar voz ao que é silenciado. Vivemos em uma sociedade onde muitas verdades ficam escondidas. São histórias não contadas, dores sufocadas, experiências que as pessoas carregam em silêncio por anos. Esta obra nasceu do desejo de iluminar as sombras”, afirma a escritora.
FICHA TÉCNICA
Título: Verdades proibidas
Autor: Rosangela Silva Schiabel
Editora: LC Design & Editorial
ISBN: 978-65-5278-120-8
Páginas: 157
Preço: R$ 65,22 (físico) | R$ 24,90 (e-book)
Onde comprar: Livraria Loyola | Amazon | Mercado Livre
Sobre a autora: Rosangela Silva Schiabel é pedagoga e psicóloga da educação, com formação pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio e especialização em Metodologia e Didática. Com ampla experiência como professora, sua trajetória na educação permeia toda sua obra literária. Rosângela escreveu seu primeiro livro, Mulher Madalena Mariazinha, em 2011.
Redes sociais da autora:
Instagram: @rosangela.schiabel
A arte faz política
*Fábio Gonçalves
O escritor austríaco Hugo von Hofmannsthal dizia que nada aparece na política de um país sem ter antes aparecido na sua literatura. Não é que a literatura crie a realidade política; é que a linguagem poética, na medida em que seja uma síntese artística do real, torna comunicável experiências humanas que, antes, passavam despercebidas para o conjunto da sociedade. E a política só pode operar em cima dessas experiências que fazem parte do imaginário comum. Ou, de outro modo: é preciso primeiro que as pessoas sejam capazes de imaginar e verbalizar os problemas para só então se engajarem em solucioná-los.
Euclides da Cunha escreveu Os Sertões para nos dar a conhecer nossos irmãos sertanejos, aqueles fortes embrutecidos pela aridez do ambiente e a ambição dos senhores. Depois dele, pintaram também a vida nesses rincões a Rachel de Queiroz, o Graciliano Ramos, o José Lins do Rêgo e outros. De posse dessa galeria de imagens, fica-nos impossível ignorar os dramas e agruras daquele povo — dos que retiram e dos que ficam.
O abolicionismo, por exemplo. A causa ganhou vulto, sim, por causa da prosa inflamada de um José do Patrocínio, ou da temperada de um Joaquim Nabuco, mas principalmente pela poesia inescapável de um Castro Alves.
Daí que também por vias literárias é que se deva registrar e divulgar o fracasso sistemático da organização social brasileira no pós-abolição. Foi isso o que fez, por exemplo, Carolina Maria de Jesus. Preta, favelada e semi-analfabeta, ela revelou, com sua arte, as condições de miséria — física e moral — em que viviam os descendentes dos alforriados nas periferias da maior cidade do país. Aliás, Audálio Dantas, jornalista que descobriu a escritora e fez a edição dos seus diários, dando-lhes forma de livro (Quarto de Despejo), conta que a publicação da obra, um absoluto sucesso de vendas, suscitou debates entre políticos e técnicos, e que levou à formação de iniciativas como o Movimento Universitário de Desfavelamento (MUD). Como dizia Hofmannsthal: dos livros para a política.
No caso das favelas brasileiras, ainda há muito que se falar. Tivemos nas últimas décadas registros artísticos importantes, como os filmes Cidade de Deus e Tropa de Elite e os álbuns dos Racionais MC’s. Mas ainda carece, esse tema, de boa literatura. E literatura que não seja exatamente de protesto. Porque a linguagem poética é menos eficaz quando transmutada em deslavada retórica política. Não que a retórica política não tenha o seu lugar — citamos Patrocínio e Nabuco; é só uma questão de hierarquia.
Daí que a literatura social, que se objetive a falar da vida difícil daqueles que vivem nas periferias, deva ser não uma central de denúncias — como não raro se faz —, mas um mosaico sincero e realista, com cenas, sim, de violência, de abandono e de miséria, mas também de ternura, de heroísmo, de sabedoria e de esperança.
Fábio Gonçalves é professor de linguagens e autor de livros como “Um Milagre em Paraisópolis” (2020), “Um Retrato do Doente e outros contos de Morte e Solidão” e “Uma negra comédia”


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