Valorização da história do café o do produtor é diferencial
A forma de provar e descrever cafés especiais está passando por uma mudança importante.
A adoção do protocolo CVA (Coffee Value Assessment) visa tornar a avaliação mais objetiva, compreensível e alinhada ao consumidor final, sem perder o rigor técnico que sustenta o mercado de qualidade.
A mudança já está sendo colocada em prática. A partir de 2026, todos os Q-Graders passarão a utilizar o novo formulário em exames e avaliações oficiais. Os instrutores do Sistema Faemg Senar passaram por uma formação em 2025, na sede da BSCA, em Varginha, no ano passado.
A edição deste ano do concurso de qualidade do Programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG Café+Forte utilizará o novo protocolo de avaliação.
Segundo o gerente do Sistema Faemg Senar e especialista em café, Marcos Reis, a principal transformação começa na maneira de registrar aromas e sabores. “Antes, os campos eram totalmente abertos, especialmente para aromas e nuances. O provador escrevia livremente. Agora, o formulário traz direcionamentos com as principais notas, o que torna tudo mais objetivo”, explica.
A mudança pode parecer sutil, mas altera significativamente a caracterização do café. O novo procedimento prioriza aquilo que diferencia o produto e pode ser mais facilmente compreendido pelo consumidor final. “Às vezes a gente coloca muitas nuances e o cliente não consegue identificar nada. A ideia é simplificar e destacar os principais atributos”, afirma Marcos. Na prática, isso significa descrições mais diretas, como amanteigado, nozes e chocolate ou frutado, cítrico, frutas amarelas.
De um formulário para quatro
Se por um lado o CVA simplifica a linguagem, por outro ele amplia a estrutura da avaliação.
O modelo antigo dá lugar a um sistema dividido em quatro formulários distintos, cada um com uma função específica.
O primeiro formulário é voltado à análise física, com foco nos defeitos intrínsecos do café ainda verde. Já o segundo é descritivo, dedicado a caracterizar atributos como sabor, acidez, corpo e doçura.
O terceiro introduz a avaliação afetiva. Nele, os mesmos atributos descritos anteriormente são pontuados em uma escala de 1 a 9, trazendo uma leitura mais direta da percepção do provador.
Para situações que exigem agilidade, como concursos de qualidade, há ainda uma versão combinada dos formulários dois e três, permitindo descrever e pontuar simultaneamente.
Valor além da xícara
A grande inovação do CVA está no quarto formulário, inexistente no modelo anterior. Ele trata dos chamados atributos extrínsecos, ou seja, tudo aquilo que vai além da bebida em si.
Nesse espaço, entram elementos como a história do produtor, práticas sustentáveis e características do processo produtivo. “É o produtor podendo contar melhor a história do café. Isso agrega valor de forma muito significativa”, destaca Marcos Reis.
Para o cafeicultor e supervisor do programa de Assistência Técnica e Gerencial - ATeG
Café+Forte, Daniel Prado a mudança é benéfica, especialmente para pequenos produtores que se dedicam ao café como atividade principal. “Favorece quem tem um cuidado artesanal e os torna mais competitivos no mercado valorizando a qualidade do produto”, comentou.
Padronização e desafios
A metodologia será adotada por instituições como a Brazil Specialty Coffee Association, que já iniciou o processo de implementação no país. Apesar de críticas sobre possível aumento da subjetividade, especialmente na pontuação, especialistas defendem que o sistema mantém a confiabilidade.
“Os Q-Graders passam por calibração constante. A variação entre avaliadores é mínima”, explica Marcos. A expectativa é que, mesmo com mudanças no processo, os resultados finais permaneçam equivalentes, exigindo apenas adaptação ao novo formato.









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