domingo, 23 de julho de 2017

Os perigos das linhas cortantes

Os perigos das linhas cortantes
*** Demetrio Venicio Aguiar é engenheiro eletricista da Cemig

Está aberta a temporada das férias escolares e dos ventos intensos que são frequentes durante o inverno. O cenário é perfeito para as pipas e os papagaios, que já começaram a colorir os céus das cidades. Contudo, essa brincadeira não envolve apenas diversão.  Uma prática criminosa, que consiste em usar materiais cortantes nas linhas das pipas, assombra a segurança de todos e causa prejuízos às redes elétricas e às pessoas que têm suas residências afetadas pela falta de energia. 

Somente no período de janeiro a maio deste ano, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) registou 840 ocorrências de interrupção no fornecimento de energia, que totalizaram um número expressivo de 284 mil consumidores prejudicados. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), por exemplo, foram 356 desligamentos provocados por linhas de pipas que continham o cerol em sua estrutura.

Além do conhecido cerol, que, na maioria das vezes, é produzido manualmente pelos próprios condutores de pipas com cola e vidro, há, ainda, a chamada linha chilena, que preocupa cada vez mais por ser fabricada em grande escala e comercializada em mercados paralelos. Infelizmente, esse é o retrato de um negócio que atenta contra a integridade de crianças e adultos.

Vale ressaltar que a utilização desses materiais está restrita ao desafio irresponsável de cortar as linhas de outros praticantes. O que os adeptos dessa brincadeira desconhecem é que, quando em contato com os fios das redes elétricas, o cerol e a linha chilena se transformam em uma espécie de serra que danifica os cabos e, não raro, os partem. Além disso, já foram feitas simulações com esse tipo de linha cortante com materiais muito mais resistentes que a pele humana, como o couro, que foram facilmente cortados.

Todos os anos, motociclistas são vitimados por tragédias anunciadas e que não aconteceriam se houvesse um pouco de bom senso aliado à brincadeira. Os próprios usuários dessas linhas cortantes estão sujeitos a acidentes, pois, ao tentarem resgatar as pipas das redes elétricas, muitos deles podem sofrer choque elétrico, uma vez que os materiais utilizados são condutores de eletricidade. Nesses casos, os riscos são elevados e, na maioria das vezes, as consequências são fatais.

Acidentes graves poderiam ser evitados com a conscientização e o cumprimento da Lei Estadual 14.349/2002, que proíbe o uso pipas com linhas cortantes em áreas públicas e comuns. No entanto, essa é uma realidade que se apresenta como um desafio de todos.

O envolvimento de toda a comunidade pode fazer a diferença para que o cerol e a linha chilena deixem de ser considerados como parte de uma brincadeira. Em especial, os pais que acompanham seus filhos em suas diversas atividades têm papel imprescindível. Apesar de ser um assunto recorrente, mostra-se cada vez mais necessário que a informação certa circule e sensibilize as pessoas que ainda não atentaram para tantos riscos e prejuízos.

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